sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Jorge Marçal da Silva (1878-1929), fotógrafo

Um fotógrafo desconhecido, cirurgião em Lisboa.
Ericeira, Rapazes em celhas, 1908

Feira-mercado

 Campo Grande, Lisboa. Cavaleiro saloio, 1909

 Lisboa 1909. Deita-gatos

 Seixo, 1916. Fábrica de telha

Fuseiro

Guimarães, 1923. Mulher fiando

Não consta que tenha exposto nem publicado. Usava uma câmara estereoscópica e deixou metodicamente organizadas as caixas de lâminas de vidro destinadas à projecção ou à visão em relevo proporcionada pelo Taxiphote Stéréo-Classeur.
Das cerca de duas mil imagens conservadas na posse de familiares, um primeiro lote de 200 proporcionou uma aproximação ao trabalho do fotógrafo amador que documentou os seus lugares de trabalho, o Hospital de São José, os seus doentes (também no Hospital de D. Estefânea, muitas vistas do país e em especial um largo inventário de profissões rurais e urbanas.
As imagens são documentais e descritivas, como é próprio da opção pela fotografia estereoscópica, sem a intenção romântica e esteticista da fotografia pictorialista do seu tempo.

 Castanheiro

 Sala de operações do Banco do Hospital de S. José, 1911

Depois de ter sido apresentado em Lisboa, a seguir a uma exposição na Ordem dos Médicos das fotografias digitalizadas a partir das chapas originais, o livro é lançado amanhã (1 de Fevereiro), no Porto, e tem estado à venda na Fnac. Também médico e neto de Jorge Marçal da Silva, Manuel Mendes Silva dá a conhecer um olhar sobre o país de há cem anos, abrindo a investigação sobre um acervo que ainda terá bastante para explorar.
Sabe-se que era assinante da revista Arte Photographica e grande amador de ópera.
O livro é uma edição do Núcleo de História da Medicina da Ordem dos Médicos.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Antes de 1990, as fotografias da Ether

LAPIZ, Ano VIII Número 70 Verano de 1990
Nº especial sobre Portugal, pps 66-71
ANTÓNIO SENA
"Pequeñísima historia de la fotografía en Portugal"

uma cronologia, um ponto da situação, uma história em construção. 
E algumas objecções ou pistas a explorar

Parafraseando o inicio do artigo de António Sena, podemos dizer que somos hoje mais ignorantes sobre a fotografia do que os seus leitores de 1990

"A obra de Benoliel pode entender-se como uma síntese de Atget. Paul Martin e Salomon"

Marques da Costa é também o autor principal do álbum "Exposição-Feira de Angola 1938", editado em Luanda, que ficou por muito tempo desconhecido

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

1992 "Olhos nos olhos" (Olho por Olho, Ether)

sobre a exposição Olho por Olho - Uma História de Fotografia em Portugal 1839-1992. 

1992, Maio/Agosto


artigo de JORGE CALADO
publicado no EXPRESSO/Revista de 18 Julho 1992
pps 56-57-58-59

(Publicada a primeira história da fotografia portuguesa, António Sena mostra na Ether a primeira retrospectiva. Retoma-se parte do panorama que foi levado à Europália e assinalam-se os dez anos de actividade de uma associação a quem se deve um trabalho seriíssimo de estudo e divulgação da fotografia)
 Cunha Moraes, "Banana, Margens do Rio Zaire", c. 1878; Costa Martins / Victor Palla, foto de "Lisboa 'Cidade Triste e Alegre'", 1956-59


FOI PRECISO esperar mais de 150 anos para se começar a perceber o que foi, tem sido, é a fotografia em Portugal.  Neste processo de estudo, inventariação, pesquisa e apresentação fomos os últimos. Como escreveu um investigador inglês, «early photography in Portugal is probably the worst documented of any country with the exception of some of the more obscure areas of Africa» (a fotografia antiga em Portugal é provavelmente a pior documentada de qualquer país, à excepção da das regiões mais obscuras da África). Para citar apenas os exemplos mais próximos, pode constatar-se que a fotografia brasileira está bem estudada; a de Espanha nem é bom falar - deixa-nos a perder de vista. 
A fotografia portuguesa é toda a fotografia feita em Portugal mais a produzida por portugueses no estrangeiro. Não há especificidades estéticas que a distingam das suas congéneres europeias ou americanas. Quer queiram quer não, a fotografia é uma arte para «estrangeirados», pois, como bem notou Gérard CastelIo Lopes, os nossos fotógrafos «só se servem de um ingrediente nacional: a água» - tudo o resto é importado. Em Portugal, os fotógrafos corriam atrás do espírito dos tempos e reviam-se nos exemplos que vinham de fora. Como acontecia no resto do panorama artístico, o atraso era de rigor e os modelos seguidos nem sempre os melhores. Mas bem ou mal, o «corpus» fotográfico português é o nosso retrato; o retrato das nossas paisagens e costumes, dos nossos monumentos e das nossas histórias, que a vida é a mesma em qualquer parte do mundo - nasce-se, cresce-se, ama-se e morre-se. A pátria é um acidente geográfico, tal como a família é um acidente biológico. Mas, já que nascemos e/ou vivemos aqui, temos o dever de preservar e estudar a nossa herança cultural, e a fotografia é uma parte integrante desta, talvez a mais importante porque é, simultaneamente, cultura e reflexão e registo das outras culturas. 

Mais Módulo, 1987... 2006

"O perfil de uma galeria": Agathe Gaillard, 6 Fev. 1987

Bernard Faucon, Maio 1985, e de novo em 1989 e 1992, pelo menos

"Casa de Luz - Colección Mário Teixeira da Silva. 
Fundació Foto Colectania, Barcelona, 20 Out. 2004

Bill Brandt, A Snicket in Halifax, ca 1930, prova de época, 34,3 x 29 cm 
(a 1ª compra como coleccionador)

Brígida Mendes, 16 Dez. 2006 (Sem título. 2005, 120 x 140 cm)

Módulo desde 1975 (catálogos de 1982-85)

A Galeria Módulo  - aliás, o Módulo, Centro Difusor de Artes, fundado e dirigido por Mário Teixeira da Silva - abriu no Porto em 1975 (com uma exp. de Paula Rego) - e em 1979 estendeu-se a Lisboa. Logo no 1º ano fez uma mostra de 3 fotógrafos norte-americanos e em 1976 expôs obras fotográficas de Helena Almeida. Ainda nessa década apresentou Hamish Fulton, Gilbert & George, Jochen Gerz, Fernando Calhau e Julião Sarmento.
Nos anos seguintes (continuando a usar indicações de Filipa Valladares no cat. Casa de Luz, ed. FotoColectanea 2004), expôs Paulo Nozolino, Jorge Molder, Elliot Erwitt, Bernard Faucon, Bruce Charlesworth e Larry Fink, entre outros.
Seguem-se Axel Hütte, 1991; e depois Mário Cravo Neto, Frank Thiel. Nan Goldin em 1994 numa colectiva, James Welling em 1995 e outra colectiva com Cindy Sherman, Tony Oursler e Richard Prince. A seguir, anos 2000, Vick Muniz e Miguel Rio Branco. Já nos anos 2000, Rosângela Rennó, Beat Streuli e Candida Höfer, e tb António Júlio Duarte, José Luís Neto, Duarte Amaral Neto.


Alguns documentos e catálogos do início dos anos 80



24 Nov. 18 Fev. 1982

sábado, 11 de janeiro de 2014

Olho por Olho III: fotos 1850-1991

edição original editada em fotocópia com 131 exemplares
20,4 x 14,5 cm
cópia anotada do exemplar 000038, oferta do autor.
128 reproduções
De J. Silveira a Augusto Alves da Silva (nº 128)



Ether 1982 - 1998, exposições e catálogos

Exposições na Ether, 1982/83 e 1986/93

Costa Martins / Vítor Palla, Lisboa e Tejo e tudo (1956/59). 1982 (Abril-Maio) Catálogo-cartaz sem data, com notas não assinadas (A.S.). Exp. também apresentada nos 3ºs Encontros de Coimbra, 7-16 Maio 82.
About 70 Photographs. Exp. do British Council. Julho 1982. Sem cat. (antes apresentada nos 3ºs Encontros de Coimbra).
Ana Leonor (Madeira Rodrigues), “Abstracção Fotográfica”, pintura, 1982 (6 a 30 Maio). Cat.-cartaz com tx não assinado (A.S.).
Jacques Minassian, Fotografias 1977-1980, 1982 (Nov.) Cat.-cartaz s/d com texto de Gérard Castello lopes.
Gérard Castello Lopes, Fotografias 1956/1982, 1982 (19 Dez. / Jan. 83). Cat.-cartaz s.d. com texto do autor e n. ass. (A.S.)
Johan Cornelissen, Desenhos dos slides imaginários - maio 82/junho 83, 1983. Cat.-cartaz s.d.

António de Oliveira - sacristão, Fotografias 1945/84 [“olhem que isto é para mostrar à família”]. 1986 (31 Out.). Desdobrável s.d.

Com. António José Martins, Bromóleos e alguns brometos 1922/43. 1986 (Dez./Jan. 87) Cat./cartaz s.d. com texto n. ass. (A.S.) e de B. dos Santos Leitão (1931)
Francisco Rúbio, Videografias (1982/83), 1987 (Fev.)  Cat-cart. s/d. com tx do autor.
(Marques da Costa), "Imagens fugazes" - A viagem presidencial às colónias - 1938/39, 1987 (24 Março - 2 Maio). Cat-cartaz s/d. com tx n. ass. (A.S.)
Sena da Silva, Fotografias 1956/57. 1987 (5 Maio - 20 Jun.). Cat-cartaz s/d.
José Loureiro, "José se quiseres come as sardinhas todas", pintura. 1988 (Outubro). Cat-cartaz s/d.
John Thomson, Street Life in London (1877-78), 1988 (29 nov - 7 jan 89). Cat.-desdobrável s.d. com notas n. ass..
Gérard Castello Lopes, Uma fotografia, 1981, 1989 (Jan.) Cat.-cartaz.
Costa Martins / Vítor Palla, Lisboa e Tejo e tudo (1956- 59), 1989 (2ª versão). 
Paulo Nozolino Kuan, 1989 (Fev./Mar. ). Cat. 
Carlos Afonso Dias, Fotografias (1954/69), 1989 (Maio) Cat. com texto de Gerard Castello Lopes.
Carlos Calvet, Fotografias (1956-75), 1989 (Nov.) Cat. com textos de C. Calvet e A. Sena.
José Francisco Azevedo, Revelações (1987/9), 1989, dat. 1990 (Dez./Jan. 90). Cat. com textos do autor e A. Sena.
Daniel Blaufuks, Fotografias (1988/89), 1990. Cat. com texto de A. Sena.
Rui Laginha, "absorver as vibrações dos eléctricos" (1981/5), 1990. Cat. com texto de A. Sena.
Augusto Alves da Silva, Algés-Trafaria, 1990,  1990 (13 Out.) Cat.

Olho por Olho - Uma História de Fotografia em Portugal 1839-1992. 1992, Maio/Julho. Cat. copiografado,  131 exemplares numerados e carimbados (dos quais 50 em edição inglesa). Ver publicações anteriores

Mariano Piçarra, Carneiro, 1993 (Nov./7 Jan). Exp. Ether e tb. na Mãe d’Água, Lisboa. Acompanhado pela edição de um livro.
Rui Fonseca, Visão Litoral. 1993. Cat. com tx de A. Sena.

Exposições em outros espaços

Nível de Olho - fotografia em Portugal anos 80. Ed. Ether, 1989. (Exp. na Secretaria de Estado da Cultura, Gal. Almada Negreiros, Mar./ Abr., depois itinerante.

Fotoporto / Fundação de Serralves, Porto, 1990. Catálogos
Paulo Nozolino, Paulo Nozolino 1989/1990
Sena da Silva, Sena da Silva - Uma retrospectiva.
Neal Slavin, PORTUGAL 1968.
Christer StrömholmFotografias 1930-1990.

António Júlio Duarte, Oriente Ocidente /East West. Ed. Fundação Oriente, produção Ether (coord. Pedro Gonçalves). Comissariado e texto de Jorge Calado. Exp. Lagar de Azeite, Oeiras 4-28 Maio 1995

José Manuel Rodrigues, O prazer das coisas - uma antologia. 1998.  Ed. Ether, Câmara Municipal de Oeiras, Fund. do Oriente. Coordenação e notas de Jorge Calado. Produção Ether (coord. executiva Pedro Gonçalves). Exp. Palácio dos Anjos, Oeiras (28 Fev.)

Esta lista de exposições e catálogos tem por base a documentação citada no catálogo Olho por Olho e acrescenta duas edições omitidas (Ana Leonor e Jacques Minassian). Prolongou-se até 1993 na Ether e depois em 1995 e 1998 noutros espaços.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Ether 1992 "Olho por Olho" Parte II


No catálogo da exposição Olho por Olho, Ether 1992, propõe-se uma história da fotografia em Portugal e celebra-se a história da sua última década, isto é, comemoram-se os dez anos da Ether. A bibliografia alarga-se das exposições que tiveram lugar na galeria a diversas outras publicações em que António Sena e a associação intervieram.

Ether 1992 Olho por Olho



sábado, 4 de janeiro de 2014

O Salão de 1937 e o Comandante Martins

...eis o que o jornal "A Voz" publica a 12-12-1937 a propósito do I Salão Internacional de Arte Fotográfica e V Salão Nacional, que se realizou na SNBA , sendo que o retrato - de um esquimó, tanto quanto julgo saber, apesar do boné, dos óculos e do cachimbo que parece ser fabrico industrial - é da autoria do Cmdt. AJ Martins com a legenda: "Comandante António José Martins, que apresentou curiosas fotografias das Terras Polares, tiradas a bordo do Gil Eanes". De realçar que os fotógrafos " lá de fora" foram em número superior aos nacionais e que 882 trabalhos expostos é notável. 

(comunicação de Miguel Valle de Figueiredo, no facebook, que agradeço)

apontamentos:

É o 2º artigo (1º em data) que conheço sobre o 1º (5º) Salão e comprova a atenção dada pela imprensa aos certames anuais de fotografia do Grémio, mas é pouco mais do que um registo quantitativo e comparativo das representações nacionais. A Espanha não comparece, e o depois habitual belga Léonard Misonne é um dos poucos referidos pelo nome. 

Diz-se que
"... a arte nacional suporta com galhardia o confronto dos mais célebres profissionais e amadores de além-fronteiras, embora dentro dos processos já conhecidos da ampliação em brometo, bromóleo, ampliação em cloro-brometo, etc." (embora?)


É provável que esse 1º Salão Internacional de 1937 (5º Nacional) tenha sido o último a que compareceu o Comandante António José Martins (1882-1948) - no de 1938 não entrou, e não tenho acesso aos de 39 e 40. Nesse ano de 37 ele encabeçava o conselho técnico do Grémio Português de Fotografia e o movimento fotoclubista parece estar então particularmente agitado. 

O nº 7 (15 de Dezembro) da revista Objectiva, em artigo do seu director, Rodrigues da Fonseca, revela que o júri do Salão foi forçado a fazer uma segunda escolha depois de ter aprovado apenas 25% dos envios, e o Dr. Álvaro Colaço, activo fotógrafo e comentador, propõe uma reforma dos júris, com exclusão dos "chamados críticos de arte".
O momento seguinte é de grande tensão com o início da polémica em torno do 'flagrante' (isto é, o instantâneo e o banal quotidiano), bem como com a organização de um "Concurso e Exposição de Estudo Fotográfico" por parte da Objectiva, em Julho de 38 na SNBA, que teve no júri Mário Novais, San-Payo e M. de Jesus Garcia, da redacção. A crítica da rotina elitista e da pouca audiência do Grémio Português de Fotografia - Secção da Sociedade Propaganda de Portugal (Touring Club), não confundir com o Secretariado da Propaganda Nacional de António Ferro (SPP e SPN) - é insistente na revista, que parece protagonizar uma oposição ao mesmo tempo interna ao Regime e ao salonismo conservador, sendo uma posição modernizadora, associada aos novos formatos e às novas casas de material fotográfico (Instanta, em especial). 

O Cmdt - um importante divulgador da Leica - não participa no Concurso da revista nem parece envolver-se publicamente nesses confrontos. Note-se que na revista de Maio de 1938, nº 12, o Pe Moreira das Neves fizera uma autoritária chamada à ordem para mobilizar os fotógrafos com vista à celebração dos Centenários, a qual parece conter as veleidades reformadoras dos principais fotógrafos da Objectiva, os Drs Álvaro Colaço e Lacerda Nobre.

O recorte acima é pouco legível (é preciso desenterrar a literatura sobre os salões...), mas só a ilustração confirma o Cmdt como uma das figuras mais respeitadas do salonismo do tempo (salonismo é só a designação geral para a mais notória forma de visibilidade da fotografia de intenção artistica, e não um estilo fotográfico - ele acolhe ao longo do tempo os diversos estilos que se afirmam na fotografia de exposição). O Cmdt não terá sido objecto de nenhuma exposição consagratória na sede do SPN, mantendo-se certamente distanciado das iniciativas do Regime (a confirmar).

Na "Objectiva" nº 8 (Jan. de 28) a crítica era assinada pelo importante retratista M. Alves de San-Payo, " O I Salão Internacional de Arte Fotográfica visto 'Objectivamente' " , e parece pretender estabelecer uma norma conciliadora no meio salonista, ao referir-se à "exuberante" representação portuguesa:

"Pescador da Nazaré" do Dr. Álvaro Colaço, I Salão Internacional, Objectiva nº 7, pág. 103

"Os trabalhos do Comandante Martins repletos de sentimento e técnica irrepreensível; as paisagens de Ponte de Sousa, verdadeira sensibilidade de artista; os mimosos trabalhos de João Martins cheios de poesia e saudade; as marinhas e estudos de F. Viana, os tipos de Álvaro Colaço, os bromóleos de F. Bonacho, as paisagens de W. Orton, os estudos de Henrique Manuel e os flagrantes de W. Heim não ficam mal ao lado do que de bom se faz no estrangeiro".
No recorte de A Voz de 1937 (assinado por M.S.) aparece também uma reprodução do assíduo Ernesto Zsoldos.
No Salão de 1938, o nº dos portugueses desce para 30, e o de estrangeiros é muito superior, como será habitual, com envios da Austrália, China, Estónia, Hawai, Hungria (13 autores), Índia e Indo-China, Japão e Nova Zelândia, para referir os mais longínquos (a Espanha ausente), graças ao activismo dos foto-clubes e às remessas colectivas. No júri estão Reinaldo dos Santos, presid. da Academia de Belas Artes, o escultor Leopoldo de Almeida, o velho Júlio Worm, fundador em 1907 da Sociedade Portuguesa de Photographia, e dois homens do Grémio.
                              

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Tereza Siza fala de Tereza Siza... a respeito do CPF

A culpa é sempre do entrevistador... 

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Entrevista com Tereza Siza, ex-directora do Centro Português de Fotografia (1997-2007) publicada na revista de fotografia, arte e ciências Studium nº 35 suplemento, editada pelo Instituto de Artes da UNICAMP, Universidade de Campinas

Extracto de uma longa entrevista editada por Iara Lis Schiavinatto e Eduardo Costa, onde por acaso venho referido:

(...)  Você citou a Galeria Ether [Vale tudo Menos tirar os olhos], que é mais ou menos desse período, no início da década de 1980.
- A Ether foi uma galeria muito importante. Ela foi criada e dirigida por António José Sena da Silva, que toda gente conhecia por Toé. E o Toé era filho do Sena da Silva, designer, e que foi, depois, diretor do Centro Português de Design. O Sena era um grande fotógrafo e tinha um círculo de amigos que era os fotógrafos silenciados pelo regime*. Nunca tinham entrado nos salões. Quer dizer: tinham produzido trabalho, alguns ainda nos anos 1950 e sobretudo nos anos 1960, mas nunca tinham entrado nos salões. Eram os proscritos. O Carlos Calvet, o Carlos Afonso Dias, o Gérard Castello-Lopes. Todos esses eram do círculo de amigos íntimos do Sena da Silva, pai. Portanto, o Toé, que tinha uma enorme biblioteca de fotografia, abriu aquela galeria e começou por levantar essa geração. A galeria era muito pequenina, mas foi importantíssima.